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Solarpunk: o melhor dos futuros breves possíveis

O avesso do cyberpunk tem planta no telhado, energia perto de casa e um detalhe pouco lembrado: o que é considerado a primeira antologia do gênero saiu no Brasil.

Onirika · · 3 min de leitura

Quase todo futuro que aparece no cinema é escuro. Chove, o neon pisca, a tecnologia avança e a vida piora, enquanto meia dúzia de corporações manda em tudo. O solarpunk começa pelo lado oposto: imagina um futuro em que dá vontade de morar.

Solarpunk, também escrito Solar Punk, é um gênero de ficção especulativa, parente da ficção científica, uma estética e, para muita gente, um movimento. As imagens mais comuns são cidades cheias de plantas, energia limpa produzida perto de quem usa e tecnologia a serviço da comunidade, não o contrário.

O avesso do cyberpunk

O solarpunk costuma ser descrito como uma resposta ao cyberpunk, o futuro de neon, chuva e megacorporações. O cyberpunk pode ser lido como pessimista ou como realista: depende de as big techs vencerem ou não a ofensiva que estão fazendo. O solarpunk aposta na outra saída. Em vez de imaginar o que a tecnologia vai fazer com as pessoas, imagina o que as pessoas podem fazer com ela para viver melhor, juntas, sem destruir o planeta.

De onde veio o nome

As primeiras ideias aparecem em 2008, num texto de blog chamado “From Steampunk to Solarpunk” (“Do steampunk ao solarpunk”). Em 2014, Adam Flynn publicou as suas notas rumo a um manifesto solarpunk, “Solarpunk: Notes toward a manifesto”.

E o Brasil tem um lugar especial nessa história: o que é considerado a primeira antologia solarpunk saiu aqui. No começo da década de 2010, a Editora Draco publicou Solarpunk: histórias ecológicas e fantásticas em um mundo sustentável, organizada por Gerson Lodi-Ribeiro. Em 2018, o livro ganhou tradução para o inglês.

O Sol vem primeiro

Há uma ordem nas coisas. Viver fora da nuvem, com energia própria e conhecimento guardado em casa, é a consequência. O Sol é a causa. Antes de qualquer estética, o solarpunk é uma escolha de fonte: a energia que chega todos os dias e não tem dono.

É também aí que ele encontra o Evento Carrington. O mesmo Sol que alimenta as placas pode, numa tempestade forte, derrubar redes elétricas inteiras. Para quem depende de uma estrutura só, isso é uma ameaça. Para quem tem o essencial por perto, o risco é menor.

Um movimento sem nome

Não é preciso decidir se o solarpunk é movimento ou estética para intuir que, entre os futuros breves possíveis, ele é o melhor. Talvez nem o “punk” se aplique. É dessa intuição que parte o que a Onirika está criando, um movimento ainda sem nome. É um movimento de resistência e adaptação, e também de sobrevivência, diante dos avanços da tecnocracia e da tempestade solar que pode varrer a estrutura montada por ela, a não ser que tudo mude antes.

Para a Onirika, isso pede na prática uma atitude mais “anarco digital”: usar Linux e redes sociais saudáveis e sair do domínio das big techs, como mostra o texto sobre autonomia digital. E pede chão: energia própria, ferramentas e manuais em casa, o assunto de vida off-grid.

No zine Onirika 000, a página sobre o tema termina com uma frase curta, que funciona como definição provisória: “O movimento não tem nome.”

Para ir além

Texto escrito com inteligência artificial (Claude Opus 5.5) a partir das ideias da Onirika.