O que é aleumXs?
aleumXs · Viagem ao Inconsciente Coletivo
aleumXs é uma palavra, um universo de histórias e um livro.
A palavra
No universo criado pelo Jean Prestes, aleumXs é uma palavra dos yamanati, um dos povos dessa história. Ela quer dizer a essência da criação: o Todo de onde surgem todas as manifestações. De aleumXs nascem os sonhos, as mentes e os universos. Em outra fala, o Jean vai além: aleumXs não é um lugar na consciência, é “a própria consciência”.
O mundo
O livro se passa em Mora, um dos mundos de aleumXs, que não recebe a luz de nenhuma estrela. Os moranos têm dois olhos, como os nossos, mas eles não servem para nada: acordados, vivem como uma comunidade de cegos. Só que eles têm um terceiro olho, no meio da testa, que se abre quando estão sonhando. Aí a realidade fica colorida, cheia de formas e cores.
Por isso, em Mora, a realidade dos sonhos virou a principal. A ciência de lá se desenvolveu para dentro: em vez de estudar a matéria, estuda a psique. Pelos sonhos lúcidos, os moranos descobriram o que uma mente bem conhecida pode fazer por uma sociedade inteira. No zine, o Jean diz que Mora é “como se fosse um mundo invertido em relação ao nosso”.
O livro
Viagem ao Inconsciente Coletivo, o primeiro livro publicado do Jean, conta a história dessa ciência. Depois de conhecer a própria mente, os moranos querem conhecer a mente dos outros e o que existe além dela. A viagem agora é para o Inconsciente Coletivo, o nome que o psiquiatra suíço Carl Jung deu à camada mais profunda da psique, comum a todas as pessoas. O experimento é levar o ego de alguém para dentro da mente de outro. Só que as trevas que eles estão prestes a encontrar guardam um mistério muito mais forte do que tudo a que estavam acostumados.
Os nomes que aparecem no zine
- Mora: o mundo sem luz, cujo povo só enxerga sonhando.
- Vidgar: uma morana. No experimento, o ego dela vai parar dentro de outra mente, e ela não lembra de onde veio. Sente saudade de casa, mas não sabe que casa é essa. Para o Jean, ela representa o ego vindo da mente de origem.
- Adim: um jovem de Mora, sem nada de especial, colega de Vidgar na aula do mestre Ventum. Só que, dentro dele, um povo inteiro o considera o Deus Maior. Na história, a mente de Adim é o nosso sistema solar, e o Sol é o centro desse território de sonhos. Como diz o Jean, “estamos todos em Adim”.
Pela ótica do Jean
aleumXs não é só fantasia. É a ficção contando a mesma ideia que atravessa a Onirika: “Tudo é um sonho. Absolutamente tudo.” A realidade e os sonhos são a mesma coisa. Poderia haver um terceiro nome para isso, mas sonho é uma boa palavra.
O livro vai estar disponível para baixar aqui na página. Enquanto isso, o zine 000 traz pedaços desse mundo nas páginas 3 a 9.
O que é Solar Punk?
Solar Punk
Solar Punk, ou solarpunk, é um jeito de imaginar o futuro com o Sol a favor. Começou como gênero de ficção científica e virou também estética e, para muita gente, movimento. As imagens mais comuns são cidades cheias de plantas, energia limpa produzida perto de quem usa e tecnologia a serviço da comunidade, não o contrário.
Ele nasce como resposta ao cyberpunk, o futuro de neon, chuva e megacorporações, em que a tecnologia avança e a vida piora. O solarpunk faz a pergunta inversa: e se a tecnologia servisse para a gente viver melhor, junto, sem destruir o planeta?
De onde veio
As primeiras ideias aparecem em 2008, num texto de blog chamado “From Steampunk to Solarpunk” (“Do steampunk ao solarpunk”). Em 2014, Adam Flynn publicou suas “notas rumo a um manifesto” solarpunk. E o Brasil tem um lugar nessa história: no começo da década de 2010 saiu aqui o que é considerado a primeira antologia solarpunk, Solarpunk: histórias ecológicas e fantásticas em um mundo sustentável, organizada por Gerson Lodi-Ribeiro e publicada pela Editora Draco. Em 2018, ela ganhou tradução para o inglês.
Pela ótica do Jean
O Jean começa pela dúvida, e ela faz parte da ideia: “Não conheço profundamente o Movimento Solar Punk, não sei nem se é um movimento ou uma estética, mas a intuição me diz que dos futuros breves possíveis, é o melhor.” Ele desconfia até do nome: “talvez ‘Punk’ não se aplique”.
O ponto de partida dele é o cyberpunk, que ele vê como pessimista, ou realista, dependendo de as big techs vencerem ou não a sua ofensiva. O Solar Punk é a outra saída. No caderno, ele separa as coisas: a vida fora da nuvem é a consequência, e “Solar é o que causa”.
No zine, ele descreve o que está criando: “um movimento de resistência e adaptação, sobrevivência também, aos avanços da tecnocracia e à tempestade solar que irá varrer toda essa estrutura, a não ser que tudo mude antes”. E diz o que isso pede no dia a dia: “uma atitude mais ‘anarco digital’, usando linux, redes sociais saudáveis etc, sair do domínio das big techs”. A página termina com uma frase curta: “O movimento não tem nome.”
Por que isso cabe na Onirika
A Onirika olha a realidade como quem olha um sonho. Nessa leitura, o Solar Punk é um sonho de futuro que vale a pena sonhar acordado: o Sol como aliado, a tecnologia de volta às mãos de quem usa e a comunidade no lugar da nuvem. Não é uma certeza. É, como diz o Jean, o melhor dos futuros breves possíveis. Os cartões sobre a tempestade solar, a autonomia digital e a vida offgrid são o lado prático dessa ideia.
No zine: páginas 12 e 13.
O que foi o Evento Carrington? E se acontecesse hoje?
O Evento Carrington e a tempestade solar hoje
O que aconteceu em 1859
Em 1º de setembro de 1859, o astrônomo inglês Richard Carrington observava as manchas do Sol quando viu surgir sobre elas um clarão de luz branca. Foi o primeiro registro de uma erupção solar, feito por ele e, ao mesmo tempo, por outro inglês, Richard Hodgson. Junto com o clarão, o Sol lançou uma nuvem enorme de partículas e campo magnético, que chegou à Terra em cerca de 17 horas e meia.
O choque provocou a tempestade geomagnética mais forte de que se tem registro. Houve aurora em lugares onde quase ninguém tinha visto uma, como Cuba, o sul do México e até a Colômbia, perto da linha do Equador. E a “internet” da época, o telégrafo, enlouqueceu: os postes soltaram faíscas, operadores levaram choques e alguns escritórios pegaram fogo. Em certas linhas, os operadores desligaram as baterias e continuaram mandando mensagens só com a corrente que a tempestade criava nos fios.
Por que isso importa hoje
Em 1859, quase nada dependia de eletricidade. Hoje, quase tudo depende. Segundo a NASA, um golpe direto desses poderia causar apagões extensos e desligar tudo o que vai na tomada. O ponto mais frágil são as redes de energia: as linhas de transmissão muito longas captam a corrente induzida pela tempestade, e os grandes transformadores podem ser danificados. Satélites, GPS e rádio também sofrem.
Alguns casos reais:
- Março de 1989. Uma tempestade menor que a de Carrington derrubou a rede da Hydro-Québec, no Canadá, em questão de segundos. A província ficou no escuro por mais de nove horas.
- Julho de 2012. Em 23 de julho, o Sol lançou uma nuvem do porte da de Carrington. Ela cruzou a órbita da Terra num ponto onde a Terra não estava. “Se a erupção tivesse acontecido apenas uma semana antes, a Terra estaria na linha de tiro”, diz o físico Daniel Baker, da Universidade do Colorado, num artigo da NASA. No mesmo artigo, ele resume: “Se tivesse atingido, ainda estaríamos juntando os cacos.” (As falas foram traduzidas do inglês.)
- Maio de 2024. A Terra teve a tempestade geomagnética mais forte desde 2003, de nível extremo (G5) na escala da NOAA, a agência americana de oceanos e atmosfera, que também acompanha o clima espacial.
- Outubro de 2024. A NASA e a NOAA anunciaram que o Sol tinha entrado no período de máximo do seu ciclo de 11 anos, a fase de mais manchas e mais erupções.
Um cálculo do físico Pete Riley, citado pela NASA, estimou em 12% a chance de uma tempestade do tamanho da de Carrington atingir a Terra em dez anos. Outros cálculos dão números bem menores, então a incerteza é grande.
Pela ótica do Jean
No zine, a tempestade solar aparece como a força que “irá varrer toda essa estrutura, a não ser que tudo mude antes”. A estrutura de que ele fala é a da tecnocracia: as big techs e uma vida toda apoiada na nuvem.
O “a não ser que” é o centro da ideia. A leitura dele é uma intuição, não um cálculo técnico: uma vida inteira apoiada numa estrutura só, que mora longe, na nuvem, é frágil. Vale lembrar que uma tempestade dessas atingiria todo mundo, inclusive serviços de que todos precisam, como hospitais e o abastecimento de água. Por isso o caminho que ele aponta é mudar antes: aprender a viver com mais autonomia, energia própria e conhecimento guardado em casa. É daí que vêm os cartões sobre autonomia digital e vida offgrid.
No zine: página 12.
O que é autonomia digital, e por onde começar?
Autonomia digital
Autonomia digital é usar a tecnologia sem ser usado por ela. É poder escolher o sistema do seu computador, onde ficam os seus dados, por onde você conversa e para onde vai a sua atenção, sem depender de meia dúzia de empresas gigantes, as chamadas big techs.
Pela ótica do Jean
O Jean viu as duas internets. No começo dos anos 2000, ele usava o mIRC, um programa de bate-papo de protocolo aberto. Ali cada um podia mexer no programa, criar o próprio canal e definir as próprias regras, e foi ali que ele teve as primeiras experiências com programação. Depois veio o MSN Messenger, mais bonito e mais fácil, mas sem nenhuma liberdade para quem usava. Num texto de 2022, ele resume: “A estética venceu a funcionalidade.” E deixa a pergunta: “O que as pessoas valorizam mais? Estética e facilidade ou liberdade e privacidade?”
Em 2020, ele escreveu que, se os dados são o novo petróleo, nós somos o pré-sal: “As redes sociais nos perfuram, coletam os nossos dados e fazem a IA funcionar.” E inverteu a ideia: “Não, elas não estão nos ofertando um serviço gratuito. Nós é que estamos doando dados para elas.”
Hoje, ele propõe uma saída. No zine, é “uma atitude mais ‘anarco digital’, usando linux, redes sociais saudáveis etc, sair do domínio das big techs”. Em outra fala, ele diz que “botaram uma roda de samsara no celular”: o feed infinito gira e puxa a atenção, como uma roda que extrai. E completa: “a gente pode ir saindo disso aos poucos”.
A mesma lógica vale dentro da cabeça. Para o Jean, “a mente é um algoritmo”: quanto mais a gente consome um tipo de pensamento, mais pensamentos daquele tipo aparecem. A saída é parecida com a de treinar um feed: perceber, recusar o que não serve e “clicar” no que gera valor, uma e outra vez.
Por onde começar, aos poucos
Ninguém precisa trocar tudo de uma vez. Alguns primeiros passos:
- O computador. O Linux é um sistema livre e gratuito. Distribuições como o Linux Mint costumam ser indicadas para quem está começando, porque lembram o Windows, e dá para testar direto de um pendrive antes de instalar.
- As conversas. O Signal é um aplicativo de mensagens com criptografia de ponta a ponta, mantido por uma fundação sem fins lucrativos.
- As redes sociais. O Mastodon e as outras redes do chamado fediverso não têm um dono só. São muitos servidores ligados entre si, cada um com as próprias regras. Lembra um pouco os canais do mIRC.
- A inteligência artificial. Já existem modelos de IA que rodam no seu próprio computador, sem mandar nada para a nuvem. Programas como o Ollama e o LM Studio fazem isso. É a ideia, que aparece no caderno do Jean, de ter a IA instalada na própria máquina.
- A atenção. Talvez o passo mais importante não seja técnico. O Jean cita o movimento Amigos da Atenção (Friends of Attention), que, segundo ele, propõe santuários da atenção: momentos com o celular afastado, dedicados a algo que tem valor real, como uma música, uma arte, um cuidado ou um trabalho.
Autonomia digital, nessa leitura, não é fugir da tecnologia. É deixar de ser o pré-sal e voltar a escolher.
No zine: páginas 10 e 12.
O que é vida offgrid, e por onde começar?
Vida offgrid
Offgrid quer dizer “fora da rede”: uma casa que gera e guarda a própria energia, sem depender da rede elétrica. No jeito mais comum, com o Sol: placas solares durante o dia e baterias para a noite.
Pela ótica do Jean
A pergunta que o Jean faz no zine é a primeira que muita gente faz: “É o ser humano voltando para a idade das pedras?” E a resposta vem na hora: “Nem a pau.” Nas pedras não tinha bateria, placa solar, notebook, nem “toda uma vida possível no local, fora da nuvem”. Ele chama isso de “um cyber mundo das pedras: Solar Rock?”.
A ideia não é voltar ao passado. É ter o essencial perto: energia própria, ferramentas e conhecimento guardados em casa. Se a rede cair, por uma tempestade solar ou por qualquer outro motivo, a casa continua funcionando.
As quatro peças de um sistema solar offgrid
- Placas solares: transformam a luz do Sol em eletricidade.
- Controlador de carga: fica entre as placas e as baterias e controla a carga, para as baterias não se estragarem.
- Baterias: guardam a energia para a noite e para os dias nublados.
- Inversor: transforma a energia das baterias na energia da tomada, para os aparelhos comuns. Quem usa só aparelhos de 12 volts pode nem precisar dele.
Por onde começar
Comece pelo consumo, não pelas placas. Liste o que você quer manter ligado, quantos watts cada aparelho gasta e por quantas horas por dia. Watts vezes horas dá o consumo em watts-hora (Wh). Um exemplo: um notebook de 60 watts ligado 5 horas gasta 300 watts-hora por dia. Somando tudo, você tem o consumo do dia. É a partir dele que se calcula o tamanho das baterias e das placas, contando as perdas, os dias nublados e as horas de sol do seu lugar.
Dá para começar pequeno, com um kit que mantenha celular, notebook e algumas luzes, e crescer depois. Baterias e eletricidade pedem cuidado, porque há risco de choque, curto-circuito e incêndio: na dúvida, chame quem entende.
Os manuais certos
A outra metade do kit é conhecimento que funciona sem internet. O Jean lista manuais de medicina, primeiros socorros, eletricidade, construção e encanamento. Alguns bons começos:
- Onde não há médico, da organização Hesperian: um manual de saúde para lugares sem médico por perto, com edição em português e capítulos no site deles.
- Kiwix: um programa gratuito que guarda a Wikipédia inteira, e outros acervos, no computador ou no celular, para ler sem internet.
- Uma IA no próprio computador, como no cartão de autonomia digital.
Não é voltar às pedras. É viver com o Sol como fonte, perto do chão e longe da nuvem.
No zine: página 13.
Texto escrito por inteligência artificial (Claude) a partir do que o Jean Prestes já falou e escreveu sobre o tema. As frases entre aspas são dele, menos os títulos e as falas que dizem de quem são.